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riscos_e_rabiscos

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Acidente no Supermercado

 

Opa, deixaram-me com a pulga atrás da orelha todo o dia e durante mais uns dias concerteza!

Hoje apanhei a enfermeira trenga-bechigosa. Tratou-me aqui da cratera e depois fez uma observação que me deixou inquieta: “ah, tem aqui uma bolha escura e brilhante... “. O que será? Ocorreu-me tudo. Será uma bola de cristal? Um novo planeta desconhecido da humanidade? Um vulcão prestes a entrar em erupção? Ou ainda, um novo microcosmos em formação? Pois, meus amigos, não vos sei responder. Mas parece que esta bolha já cá anda desde a cirurgia. Mas agora estou preocupada q.b. e intrigada. A enfermeira trenga-bechigosa largou a bomba e depois não adiantou mais conversa nenhuma. Eu bem lhe fiz perguntas mas ela esquivou-se. Trenga!

Andei a perguntar aos meus enfermeiros caseiros se a bolha era novidade. Mas afinal parece que não.

 

Hoje fui atropelada. Não se assustem! Não vale a pena! E não foi grave. Precisava de umas comprinhas aqui para casa e fui ao supermercado. Fiz as minhas comprinhas descansadamente – mas sempre a pensar na bolha -, circulei pelos corredores para ver se não me faltava e nada quando me dirigia para as caixas…ZÁS!!! Fui atropelada! Maldito homem!

Sabem o que é vocês irem muito descansadinhos da vida a caminhar para a caixa, sem sair da vossa faixa de rodagem, vir um gajo por trás e enfaixar um carro nas vossas traseiras? Pois foi assim mesmo. Isto agora é assim: batidela por trás, foge-se à batida e não se arca com as consequências. O raio do homem podia ao menos ter pedido desculpa, não era? Naaaa… custa muito.

Mas eu sei qual foi o motivo do atropelamento: é que a porra do homem queria o meu lugar na fila!!! Queria ultrapassar-me para ficar à minha frente. Sacanóide! Mas não conseguiu aquilo que queria. Tramei-lhe o esquema.

Sabem o que é que aquela abécula merecia que eu lhe tivesse dito? “ Ai querias o meu lugar na fila, querias? Atropelaste-me e nem desculpa pediste? Então agora vais cumprir aquela máxima muito conhecida: quem bate por trás, paga! E agora vais TU pagar as minhas compras para te redimires da tua asneira…” Tinha sido bem dito, não tinha? Mas não disse… Até lhe podia ter pedido uma indemnização à conta da minha cratera. As coisas andam más aqui para estes lados e uns trocos extras sabiam muito bem…

 

 

 

Nevoeiro Perfumado

 

Isto anda mesmo enguiçado. Até parecia que hoje era segunda-feira. Afinal não são só as segundas-feiras que são complicadas, ao que parece…

 

Fico tão irritada quando chego atrasada a algum lado não sendo a culpa minha. Gosto muito de ser pontual, seja em que ocasião for.

Hoje cheguei atrasada ao penso outra vez. Mas ainda bem que não estava lá a enfermeira de ontem, senão hoje ouvia-as caso me chamasse antes da hora.

 

Estava seriamente preocupada pois a minha loca estava a deitar sangue, coisa que nunca tinha acontecido, nem depois da cirurgia. Fiz logo um grande filme na minha cabeça a pensar que teria de ir ao hospital falar com a médica e perder lá o dia inteiro. E logo hoje que tinha montes de coisas para fazer…

Além disso, pensei logo se isto não estaria a fazer nenhuma inflamação, ou coisa do género. A enfermeira disse que estava tudo bem, que até era bom sinal deitar sangue e que deve ter feito isto por causa do adesivo. É que ontem o penso tinha muito adesivo (ao qual começo a fazer alergia) e pouca compressa e o adesivo é pior que super cola 3. Menos uma preocupação! Ufa!

 

A minha cidade acordou sob um pivete nauseabundo a… lixo?! Dejectos?! Cadáveres mortos no século passado?! Ou flatulência geral da população?! Não sei, mas não se aguentava… Argh!

Para piorar as coisas, estava uma neblina que ainda propiciava mais o cheirete.

Estava a mesmo à espera de ver o D. Sebastião surgir das brumas, subindo as escadas do metro ou de outro sítio qualquer, em cima de um cavalo branco possante…

Imaginei que as ruas de Lisboa há uns séculos atrás seriam assim, com este cheiro. Quando não havia saneamento básico e em que o pessoal mandava o conteúdo dos penicos para a rua ou o próprio lixo doméstico. “Cá vai disto!!!” O pessoal desatava a fugir para não levar com o presente na cabeça. Splash…! Mais um enfeite estatelado na bela calçada portuguesa.

Diga-se de passagem que os anos passaram mas os hábitos de higiene estão só “ligeiramente” diferentes…

Andam a tentar convencer-nos com a reciclagem, que há um caixote para cada tipo de material, mas o que é certo é que o xixizinho aos cantos, o cócózito no meio dos passeios e o lixo atirado pelas janelas tipo tiro ao alvo subsistem. Acho que isto já se transformou em tradição portuguesa…

Eu bem que me perfumei antes de sair de casa mas o cheirinho a cheirete sobrepunha-se ao meu caro perfume.

 

Tenho o pessoal todo constipado. O meu irmão está de molho, enfiado na cama. Espero que não sobre para mim. É que não me apetece nada ter os sintomas da constipação e nem ter que estar enfiada na cama. E mais, não me convém faltar à escola senão não recebo. Esta é a pior parte.

Só eu e o Bóbi é que ainda estamos safos… por enquanto! :)

 

Desplantes de Várias Espécies

Porque é que as segundas-feiras têm de ser sempre tão complicadas?

Nunca mais me lembrei que hoje começava um novo mês. De manhã acordei com uma buzinadela ao ouvido a dizer que era Outubro. Socorro! Não comprei o passe! Comecei a arranjar-me à pressa para sair mais cedo de casa para poder comprar o passe antes de ir fazer o penso! Ainda por cima não tinha dinheiro. Caraças, pá! Ainda tinha de ir ao MB…

Dez minutos na fila. As trombas do sr. Vendedor-de-passes é sempre a mesma. Parece que todos lhe devem e ninguém lhe paga, é simpatia e estupidez a rodos. Grrr!

 

Cheguei ao centro de saúde eram dez para as dez. Sentei-me à espera que me chamassem e observei o ambiente à espera de encontrar alguma coisa com que me distrair. Vi os pensódependentes que, tal como eu, estão lá todos os dias batidos pra gastar dinheiro ao estado em forma de compressas, adesivos e afins.

Eis senão quando uma voz mais alta se levanta. Mas foi mesmo uma voz mais alta!

- “Tenho direitos” dizia ela. “Tenho direitos. Não há direito uma pessoa estari aqui tanto tempo à espera! Tá mal…” Ninguém lhe passava cavaco. “ Só os vejo chegar aqui, tirari a senha e iri para ao pé do balcão e ser atendidos”, mais uma posta de pescada.

Passado mais um pouco, voltou ao mesmo discurso.

- “Eu é que não quero passar à frenti de ninguém… mas tenho direitos… fui operada ao coração e não posso estar aqui à espera tanto tempo… tá a ver aqui?” e nisto abre o decote e mostra a mama ao segurança.

- “Só aqui é que sou tratada assim. Veja lá que fui às Pedralvas vescar uns papéis e passei à frenti de toda a gente. Até descutiram por causa disse.” E partiu em direcção ao guichet.

 

Estranhei serem 10 e 20 e não ter sido chamada. Fui à sala de tratamentos e perguntei, toda delicodoce, se já me tinham chamado. “Já, sim senhora”, respondeu-me a enfermeira. Glup! Já me chamaram?!? Como é possível?!? “Já me chamou? Mas eu estou aqui desde as 10 pras 10…” respondi eu, atordoada. “Ah é que não tinha ninguém antes da sua marcação e eu chamei-a… até já atendi a pessoa que estava depois de si. Eu hoje estou muito acelerada!”

Opa, só me apeteceu mandá-la àquela parte! Então chama-me antes da minha hora marcada e já não me chama mais?! E que culpa tenho eu de não haver ninguém marcado antes de mim???? Não me digam que agora também tenho de fixar se está alguém marcado antes de mim! Tal não está a porra, hein?!

Antes de me vir embora, perguntei-lhe se estava lá amanhã. Ela respondeu que não. Iupiiii…!

 

Fui tomar o meu descafé da praxe e depois fui apanhar o bus. Passou por mim um gajo novo, todo apanhadinho da molécula. Qualquer dia fico igual a ele. Então não é que ia a falar sozinho e depois ia tocando em todas as superfícies em seu redor. Teve de tocar na estrutura metálica da paragem, nas paredes, nos postes e até se baixava para tocar no chão… ao que uma pessoa chega… :/

 

Descobri que o puto do 1º ano que se portou mal na sexta-feira, “tem problemas”. Foi avaliado por um psicólogo mas não tem nenhuma doença, propriamente dita. A doença dele é excesso-de-vontades-feitas-para-não-chatear-a-cabeça-aos-pais. E é assim que nos livramos das birras dos nossos filhos. Depois, os outros que aturem as birras. Os outros não, os profes! Quem devia levar uns bons pares de estalos não era o puto mas sim os papás para ver se lhes entrava na cachimónia que não é assim que se educam filhos…! Tenho dito!

 

 

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